
Muu Blanco
C.A
Sem querer criticar mais aquilo que não suporto na Bienal do Mercosul, hoje me lembrei de um artista da 6ª Bienal que, naquele momento, não me pareceu tão interessante quanto me parece agora. E não acho que deva acontecer o mesmo com a Bienal. Mas agora que comecei o papo, vou comentar brevemente o que ali vejo. Gosto da ousadia da arte contemporânea em querer entender o mundo ou tentar dizê-lo de outras maneiras. Não gosto da distância que surge muitas vezes entre aquele que vê e a coisa. Não gosto também das excessivas explicações que outras vezes mais se fazem necessárias para a mínima compreensão da coisa. E sim, não acho que tudo deva ter um sentido, uma lógica, mas bem ou mal precisamos de um sinal de luz para continuarmos andando por aquele espaço. Nunca busquei o entendimento das coisas, mas desejo o encontro e, para que ele aconteça, é preciso que algo venha ao meu encontro ou que algo na coisa esteja disposto a ser encontrado por mim. Fui visitar a 8ª Bienal do Mercosul três vezes e ainda pretendo ir mais algumas vezes. Vi muito pouco, talvez porque eu não quisesse ver muito mesmo. São dezenas de artistas, centenas de trabalhos, milhares de pessoas pensando sobre uma coisa e eu ali perdida.

Embora me parece que a pergunta de Bruscky não caiba mais nesse tempo, pois hoje nada serve exatamente para nada, na arte contemporânea falta mudar mais o que ela tanto critica. E para mudar, lançar interrogações não é o suficiente. É preciso que esse lance de dados encontre a vida das pessoas em seus cotidianos, em suas decisões diárias. É preciso que nos permitam tempo para pensar sobre aquilo que vemos ou tanto trabalho ficará restrito a uns miúdos de cabeças pensantes e desejantes. Querem números na Bienal, os terão facilmente. Querem que nós vejamos a cidade ainda não vista, nos deem espaço e tempo.
Dessa maneira, encontrei Muu Blanco, por exemplo. Passaram-se quatro anos e só agora eu o encontrei através do olho da câmera e de alguns dias girando aquela fotografia. Precisei pensar sobre o que lá ele me disse e depois concretizar inesperadamente aquilo que ele lá fez para que eu pudesse ver o que ainda não tinha visto.
É preciso tempo, mais do que nunca, precisamos de tempo.
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