domingo, 14 de agosto de 2011

Ecos





Tenho medo quando me surgem esses momentos de se ouvir Echoes, assim como quando a lua cheia aparece no céu. Não é o medo que tinha quando criança do monstro que habitava o lado escuro da minha cama, nem o medo que às vezes tenho em caminhar por ruas desertas. Tenho medo do que sinto, medo de me perder em um dos ecos em minha mente e nunca mais voltar. Me entristece um tanto estar aqui falando sozinha. Desde quando tive a péssima ideia em colocar nesse blog um controlador de visitas, não pude mais imaginar leitores. Os números não me deixam acreditar. Então, entro em viagens solitárias nesse espaço e converso comigo mesma. Mas também confesso que há um lado prazeroso nisso tudo. Sempre apreciei espaços solitários, nunca fiz questão alguma em ter companhia. E isso se deu quando eu era bem pequena, quando meu irmão nasceu. Eu tinha três anos. Lembro de minha mãe me explicando cuidadosamente que agora eu teria de dormir em um quarto sozinha. Minha mãe se surpreendeu quando viu que eu tinha adorado a ideia. E foi ali que eu comecei a aprender a lidar com a solidão. Tenho amigos imaginários até hoje. Eles cresceram comigo. O mundo que eu habito dentro de mim é o melhor lugar que eu poderia estar. O inferno são os outros. E se tenho medo de entrar no raio de um eco e nunca mais voltar é porque me importo com o que ou quem está fora de mim. Mas nunca deixei de me preparar para o voo.



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