quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ensaio de Domingo

E dela nascia um filho aos domingos de manhã. Um ser estranho.

Enquanto ainda amava, não era dela o filho que nasceria naquela manhã.

Da paixão e do amor louco, quis ter um filho.

Com o ventre voluptuoso, sentiu-se grávida. A gravidez dos domingos a deixava enjoada e sonolenta.

Um outro ser dentro dela de tamanha vida própria, mas de difícil parto.

Aos domingos, a vida se encarregava de voltar a seu estágio molecular, e ela se alimentava para induzir a reprodução das células.

Gra-vida. Era assim que gostaria de se sentir em vésperas de domingos.

Embora menos fértil, menos atraente, menos sedutora, ela sabia o quanto podia ser vulnerável nos domingos pela manhã.

Suspeita, descabida, confusa aos domingos - principalmente.

E nascia um filho estranho. Um filho rebelde.

0 improvisos: