18/11/09

Aprendendo a Jogar

Ajeitou as meias na gaveta, o casaco sobre a cadeira, os livros no chão do quarto, os cabelos agora um pouco mais compridos e ondulados. Quando as próprias mãos tocaram o rosto, pode sentir a pele quente, úmida, cansada. Fora o dia do início afetivo do verão que a fez descrente? Sentiu-se incapaz, impotente. Perdeu-se entre os papéis e o inacabado. Ouvindo Elis, estranhou-se, mas o estranhamento nem a surpreende tanto agora. Ele tem sido sua companhia.

14/11/09

Eu espero pelo mundo, mas o mundo já está cansado de esperar pelas milhões de pessoas que me antecederam na História. Sinto que ele quer parar. Frear bruscamente o movimento que mantém e se desprender de tudo o que lhe faz parte: as águas, as terras, as pessoas, as latas de lixo e as paredes de concreto. Eu queria sentir como é ser o mundo, mesmo sabendo ser apenas essa que sou numa adaptação infinita. Gosto de fazer parte das coisas e não as ser. Aprendi a me compreender dessa maneira porque já não há mais lugar para mim nesse grande ser chamado mundo. Não há espaço nem tempo nem disposição para mais nada. Há uma espécie de desejo no ar em ser, mas que se translada a um lugar profundo do mundo quando lembro que sou um nada e que se há um lugar para se voltar é onde os olhos não me reconheçam e me ignorem com doçura e perversidade. Olhos que se voltam para o profundo de si mesmos.

03/11/09

Chove!!!
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02/11/09

Desta vez não choveu no dia de finados. Desta vez, rezei e carreguei flores. Chorei ao olhar para todos aqueles túmulos sem flores, abandonados em concreto e poeira. Pensei na vida daquelas pessoas. Nos sonhos que não se realizaram, nas angústias que carregaram até o dia da morte delas. Imaginei elas encontrando-se felizes - onde quer que estejam. Ouvi vozes, lamentos, súplicas, segredos. Não falo de espíritos, de almas. Me refiro ao suspiro de vida que ainda resta depois da morte num corpo que ainda existe, mas de uma forma que não sei pôr em palavras. Lápides esculpidas, cartas deixadas nas frestas, fotografias, epitáfios. Apesar das lágrimas, desta vez, eu quis ainda mais viver. Continuar. Resgatar minhas pernas. Viver até sentir todas as artérias do mundo pulsando, ver de perto todas as bocas sorrindo, sentir a ânsia e a azia de estar vivo.
Como gostaria que chovesse ainda hoje. Eu correria pela rua até sentir todos os músculos cansados, sentindo o calor do asfalto nos pés. Todas as pessoas sairiam de suas casas, se refrescariam na chuva e depois dormiriam um sono de morte, mas certas que ainda terão muitos dias para amar, para viver, para serem felizes.


31/10/09


um jazz uma bossa vai nessa não volte dê-me tempo............................................................................................ dois segundos. volte a tocar. compassos e laços de palavras em som talvez a volta me faça feliz e depois pra onde vai? venha e diga-me que não foi e é assim como o jazz, como a bossa. volto aos meus papéis que havia deixado por ti e eles cuidadosamente me recebem como filha pródiga. volto ao nada – sem mais esperança do bis sem fim, do silêncio ao fim da noite, dos acordes a eco-ar.

30/10/09

Meu bem,


Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Hilda Hilst

23/10/09

As luzes





da pupila do meu olho.

21/10/09

um instante no vazio (e na loucura) de mim


e algo mais que não sei dizer...